Snow White and the Seven Dwarfs (bra/prt: Branca de Neve e os Sete Anões)[4][5] é um filme estadunidense de animação, dos gêneros musical, romance e aventura lançado em 1937. É o primeiro longa-metragem de animação da Disney e é baseado no conto de fadas "Branca de Neve", dos Irmãos Grimm. A história foi adaptada por Dorothy Ann Blank, Richard Creedon, Merrill De Maris, Otto Englander, Earl Hurd, Dick Rickard, Ted Sears e Webb Smith. David Hand foi o diretor supervisor, enquanto William Cottrell, Wilfred Jackson, Larry Morey, Perce Pearce e Ben Sharpsteen dirigiram sequências individuais do filme. Branca de Neve e os Sete Anões foi o primeiro longa-metragem de animação produzido nos Estados Unidos, o primeiro totalmente a cores no mundo, o primeiro a ser produzido por Walt Disney e o primeiro filme dos considerados Clássicos Disney.
Branca de Neve e os Sete Anões estreou no Carthay Circle Theatre em 21 de dezembro de 1937, seguido pelo seu lançamento nacional em 4 de fevereiro de 1938, e arrecadou 8 milhões de dólares em bilheterias ao redor do mundo. Na época, foi brevemente a maior bilheteria de um filme sonoro. A popularidade de Branca de Neve levou-o a ser relançado nos cinemas várias vezes nas décadas seguintes, até seu lançamento em home video nos anos 90.
No 11º Óscar, Walt Disney recebeu um Óscar honorário e a animação foi indicada ao Oscar de melhor banda sonora. Branca de Neve foi selecionado para preservação no National Film Registry pela Biblioteca do Congresso em 1989 por ser "culturalmente, historicamente e esteticamente importante". Foi classificado na lista dos melhores filmes estadunidenses segundo o American Film Institute, que também o nomeou como o maior filme de animação americana de todos os tempos em 2008. Branca de Neve e os sete anões teve um enorme impacto cultural, resultando em atrações nos parques temáticos da Disney, videogames, livros e marcando o início das animações nos cinemas.
Enredo
Branca de Neve é uma princesa solitária que vive com sua malvada madrasta, uma Rainha vaidosa e ciumenta. A Rainha teme que a beleza de Branca de Neve supere a sua própria, por isto ela obriga Branca de Neve trabalhar como criada, e pergunta diariamente ao Espelho Mágico: ''Espelho, Espelho Meu, existe alguém mais bela do que eu?'', durante anos o Espelho respondeu que não havia ninguém mais bela que a Rainha.[6]
Um dia, o Espelho Mágico diz a Rainha que Branca de Neve é a mais bela de todas. A Rainha, com ciúmes, ordena que o Caçador leve Branca de Neve à floresta para matá-la. Ela também diz para o Caçador trazer o coração de Branca de Neve numa caixa de joias como prova da morte. No entanto, o Caçador não consegue matá-la; ele implora pelo seu perdão e diz a Branca de Neve que a Rainha quer ela morta, levando Branca de Neve a fugir para a floresta sem olhar para trás. Sozinha e assustada, a princesa é socorrida por bondosos animais da floresta que a conduzem para uma casa de campo no fundo da floresta. Ao entrar, encontram sete cadeiras pequenas na sala de jantar da casa, e Branca de Neve conclui que a casa é desarrumada porque é habitada por sete crianças órfãs.[6]
Na verdade, a casa é habitada por sete anões adultos: Mestre, Zangado, Feliz, Soneca, Dengoso, Atchim e Dunga, que trabalham em sua própria mina. Ao retornarem para casa, ficam surpresos ao encontra-la limpa e concluem que alguém a invadiu. Eles encontram Branca de Neve dormindo em três de suas camas. Branca de Neve acorda, encontra os anões olhando para ela, se apresenta, e, eventualmente, eles concordam em deixa-la ficar, ao saber que ela cozinha e limpa perfeitamente. Branca de Neve cuida da casa dos anões enquanto eles vão trabalhar durante o dia na mina de joias. À noite, todos cantam, dançam e tocam música.[6]
Mais tarde, a Rainha descobre que Branca de Neve ainda está viva ao perguntar ao Espelho Mágico quem é a mais bela de todas, e ele ainda afirmar ser a Branca de Neve. O Espelho também revela que o coração na caixa dada pelo Caçador é de um porco. Usando uma poção que transforma a si mesma numa velha mendiga, a Rainha cria uma maçã envenenada que coloca a pessoa que a morde num "Sono da Morte", uma maldição que só pode ser quebrada por um "Beijo de Amor Verdadeiro", mas descarta esta possibilidade, acreditando que Branca de Neve será enterrada viva. A Rainha vai para a casa de campo, enquanto os anões estão fora; os animais que estavam vigiando correm para encontrar os anões. A Rainha engana Branca de Neve, que morde a maçã envenenada. Quando Branca de Neve adormece, a Rainha alega que agora é a mais bela da Terra. Os animais retornam com os anões, que começam a persegui-la, prendendo-a em um precipício. A Rainha tenta rolar uma pedra sobre eles, mas antes de fazê-lo, um raio atinge o precipício, fazendo-a cair para a morte.[6]
Os anões voltam para a casa de campo e encontram Branca de Neve aparentemente morta, mantida no sono mortal pelo veneno. Recusando-se a enterrá-la, eles a colocam em um caixão de vidro adornado em ouro numa clareira da floresta. Juntamente com as criaturas da floresta, eles permanecem em luto por ela. Mais tarde, um príncipe, que tinha conhecido e se apaixonado por Branca de Neve, descobre seu sono eterno e visita seu caixão. Triste com sua morte aparente, ele a beija, o que quebra o feitiço e acorda Branca de Neve. Todos os anões e animais se alegram enquanto o Príncipe leva Branca de Neve para o seu castelo.[6]
Elenco
Elenco original
- Adriana Caselotti como Snow White (Branca de Neve): Branca de Neve é uma jovem princesa. Ela é a filha de um grande rei cuja esposa morreu quando a filha era muito jovem. Sua madrasta malvada obrigou-a a trabalhar como faxineira no castelo. Apesar disso, ela mantém uma atitude alegre, mas ingênua.[7]
- Lucille La Verne como Queen Grimhilde / Witch (Rainha Grimhilde / Velha Bruxa): A rainha Grimhilde é a malvada madrasta da Branca de Neve. Uma vez que seu espelho mágico diz a ela que Branca de Neve é mais bonita do que ela, a Rainha imediatamente pede a Humbert, o caçador, para matá-la na floresta. Depois que ela descobre que Branca de Neve não morreu, se disfarça como uma bruxa velha e usa uma maçã envenenada para remover Branca de Neve de seu caminho sem matá-la.[7]
- Harry Stockwell como The Prince ou Prince Florian (Príncipe Encantado) (Príncipe Florian): O príncipe vê Branca de Neve pela primeira vez cantando no seu poço dos desejos. Ele imediatamente se apaixona por ela e sua voz. Mais tarde, ele aparece para reanimá-la.[7]
- Roy Atwell como Doc (Mestre): É o líder dos sete anões, usa óculos e frequentemente confunde suas palavras.[7]
- Pinto Colvig como Grumpy (Zangado): Zangado inicialmente desaprova a presença de Branca de Neve na casa dos anões, porém mais tarde a adverte da ameaça representada pela rainha e corre em seu auxílio ao perceber que ela está em perigo, levando todos os anões. Ele tem o maior nariz dos anões e é frequentemente visto com um olho fechado.[7]
- Otis Harlan como Happy (Feliz): É um anão alegre e é geralmente retratado rindo.[7]
- Pinto Colvig como Sleepy (Soneca): Soneca está sempre cansado e parece lacônico na maioria das situações. Sterling Holloway, que viria a ser a voz de muitos outros personagens para os futuros filmes da Disney, foi originalmente considerado por Walt Disney para fazer a voz de Soneca.[7]
- Scotty Mattraw como Bashful (Dengoso): Dengoso é o mais tímido dos anões, e fica frequentemente constrangido quando toda a atenção é dirigida a ele.[7]
- Billy Gilbert como Sneezy (Atchim): Atchim recebeu este nome por conta de seus espirros extraordinariamente poderosos (causados pela febre dos fenos), que são vistos soprando até mesmo os mais pesados dos objetos em uma sala.[7]
- Eddie Collins como Dopey (Dunga) (efeitos vocais e referências de live-action): É o único anão que não tem barba. Ele é desajeitado e mudo. De acordo com Feliz, Dunga é mudo porque "nunca aprendeu a falar". No trailer do filme, Walt Disney descreve Dunga como "bom, mas de um jeito bobo". Mel Blanc foi considerado por Walt Disney como voz de Dunga.[7]
- Moroni Olsen como The Magic Mirror (Espelho Mágico): Aparece como uma máscara verde em nuvens de fumaça. A Rainha pergunta a ele regularmente quem é a mais bela do reino.[7]
- Stuart Buchanan como Humbert, the Huntsman (Caçador): Apesar de seu status como assassino da Rainha, o Caçador não suporta a ideia de matar Branca de Neve, mesmo quando a Rainha ordena que tire o coração da princesa.[7]
Produção
O desenvolvimento de Branca de Neve e os Sete Anões começou no início de 1934. Em junho de 1934, Walt Disney anunciou ao The New York Times a produção de seu primeiro longa, a ser lançado pela Walt Disney Productions.[8] Antes de Branca de Neve e os Sete Anões, o estúdio Disney tinha produzido principalmente curtas-metragens de animação das séries Mickey Mouse e Silly Symphonies.[9] Disney tinha esperança de expandir o prestígio e as receitas do seu estúdio, e estimou que Branca de Neve e os Sete Anões poderia ser produzido com um orçamento de 250 mil dólares, valor dez vezes maior do que era gasto em Silly Symphonies.[8]
Branca de Neve e os Sete Anões iria ser o primeiro filme de animação da história do cinema, e como tal, Walt Disney teve que lutar para conseguir que o filme fosse produzido. Roy Disney, seu irmão e parceiro de negócios e sua esposa Lillian tentaram persuadi-lo a desistir,[9] enquanto a indústria de Hollywood se referia ao filme ironicamente como "Loucura de Disney" enquanto estava em produção. Ele teve que hipotecar sua casa para ajudar a financiar a produção do filme. Branca de Neve custou no total US$ 1.488.422,74 milhão, uma valor enorme para um longa-metragem em 1937.[10]
Desenvolvimento da história
Em 9 de agosto de 1934, vinte e uma páginas de notas intitulado de "Branca de Neve Sugestões" foram compiladas pela equipe de roteiristas do Richard Creedon, que sugeria sequências para os personagens principais e situações 'engraçadas' para a história. Walt Disney havia afirmado no início do projeto que a principal atração da história para ele era os Sete Anões. Em outubro, Disney, Creedon, Larry Morey, Albert Hurter, Ted Sears e Pinto Colvig se reuniram para decidir a história. Até este ponto, Walt Disney sentia que a história deveria começar com Branca de Neve descobrindo a casa dos Sete Anões.[8] Walt Disney tinha sugerido desde o início que cada um dos anões, cujos nomes e personalidades não são indicados no conto original, poderia ter personalidades individuais. Os nomes dos anões foram escolhidos a partir de um grupo de cerca de cinquenta nomes, incluindo Jumpy, Deafy, Dizzey, Hickey, Wheezy, Baldy, Gabby, Nifty, Sniffy, Swift, Lazy, Puffy, Stuffy, Tubby, Shorty e Burpy.[11] Os sete finalistas foram escolhidos através de um processo de eliminação. O chefe dos anões, necessário para ser pomposo, autossuficiente e atrapalhado, foi nomeado Doc (Mestre); os outros foram nomeados através dos traços das suas personalidades que os diferenciava. Em outubro, no final das reuniões de história, só Doc (Mestre), Grumpy (Zangado), Bashful (Dengoso), Sleepy (Soneca) e Happy (Feliz) dos sete finalistas foram nomeados. Nesta etapa, Atchim e Dunga foram substituídos por "Jumpy" e um sétimo anão sem nome.[1]
Junto com um foco nas caracterizações e possibilidades cômicas dos anões, Creedon escreveu um esboço de dezoito páginas da história a partir das reuniões de outubro, que contou com um fluxo contínuo de cenas de comédia, bem como uma tentativa da Rainha de matar Branca de Neve com um pente envenenado, um elemento retirado da história original dos irmãos Grimm. Depois de convencer Branca de Neve a usar o pente, a Rainha disfarçada teria escapado viva, mas os anões teriam chegado a tempo para removê-lo. Após o fracasso do pente, a Rainha capturaria o Príncipe Encantado e levaria-o para seu calabouço, onde ela teria chegado (esboços de história mostram este evento, tanto com a Rainha e a Bruxa) usando magia para dar vida aos esqueletos da masmorra, fazendo-os dançar para ele.[8] Foi descrito em notas da história que a Rainha tem este poder mágico apenas no castelo. Quando o Príncipe recusa-se a casar com ela, a Rainha o deixa para morrer. Os animais da floresta ajudariam o Príncipe a escapar da Rainha e a encontrar o seu cavalo. O Príncipe andaria rumo a casa para salvar Branca de Neve, tomando o caminho errado. Ele, portanto, não teria chegado a tempo de salvar Branca de Neve da Rainha, mas teria sido capaz de salvá-la com o primeiro beijo de amor. Esta versão não foi usada no final do filme, embora muitos esboços da cena na masmorra foram feitos por Ferdinand Horvath.[12]
Com o excesso de cenas cômicas, Disney tornou-se preocupado com o fato de que uma tal abordagem cômica iria diminuir a plausibilidade dos personagens e, sentindo que era necessário mais tempo para o desenvolvimento da Rainha, aconselhou em um esboço datado no dia 6 de novembro que seja dada uma atenção exclusivamente à "cenas em que apenas Branca de Neve, os anões, e seus amigos animais aparecem". Os nomes e personalidades dos anões, no entanto, ainda estavam "abertos à mudança". A reunião de 16 de novembro resultou em mais um esboço intitulado ''Anões Descobrem Branca de Neve'', que introduziu o personagem de Dopey (Dunga),[8] que acabaria por revelar-se o mais bem sucedido e popular dos personagens anões.[11] No final de 1934, Walt desenvolveu ainda mais a história, encontrando um dilema na caracterização da rainha, que ele sentiu que podia deixar de ser "gorda" e "extravagantemente", mas um "belo tipo imponente", uma possibilidade já levantada em reuniões anteriores. Walt Disney não focou no projeto novamente até o outono de 1935. Acredita-se que ele pode ter duvidado dele e da capacidade de seu estúdio, e que sua viagem à Europa naquele verão restaurou sua confiança. Neste ponto, Disney e seus escritores concentraram-se nas cenas em que Branca de Neve e os anões são apresentados para o público e entre si. Em 25 de novembro de 1935, Walt tinha decidido sobre as personalidades individuais dos anões.[8]
Primeiro, Walt pensava que os anões seriam o foco principal da história, havendo muitas sequências escritas para os sete personagens. No entanto, foi decidido que o principal foco da história seria relação entre a Rainha e Branca de Neve.[13] Por este motivo, várias sequências que caracterizam os anões foram cortadas do filme. A primeira, que foi animada em sua totalidade antes de ser cortada, mostra Mestre e Zangado discutindo se Branca de Neve devia ficar com eles. Outra, também completamente animado, teria mostrado os anões tomando sopa ruidosamente e fazendo bagunça; Branca de Neve tentava ensiná-los sem sucesso a comer 'como cavalheiros'. Uma sequência parcialmente animada envolveu os anões tentando pensar em um presente para Branca de Neve; esta foi seguida pela 'sequência da construção da cama' elaborada, no qual os anões e os animais da floresta constroem e esculpem uma cama para a princesa. Isto também foi cortado, pois retardava a história.[13] As sequências da 'sopa' e da 'construção da cama' foram animadas por Ward Kimball, que sentiu-se desencorajado, considerando deixar o estúdio. Mas Disney o convenceu a ficar, promovendo-o para o supervisor de animação do Grilo Falante em seu próximo filme Pinóquio (1940).[14]
Animação
A principal autoridade da animação do filme foi Albert Hurter, artista conceitual. Todos os desenhos usados no filme, a partir da aparência dos personagens para a aparência dos cenários, tinha que obter a aprovação de Hurter antes de ser finalizado. Dois outros artistas conceituais - Ferdinand Horvath e Gustaf Tenggren - também contribuíram para o estilo visual de Branca de Neve e os Sete Anões. Horvath desenvolveu uma série de conceitos sombrios para o filme, embora muitos outros projetos que ele desenvolveu acabaram por serem rejeitados pela equipe de Disney. Tenggren trabalhou como um estilista das cores para determinar o estado e a atmosfera de muitas cenas do filme. Ele também desenhou os cartazes para o filme e ilustrou o livro impresso. No entanto, Hovarth não recebeu nenhum crédito pelo filme. Outro artista que trabalhou no filme foi Joe Grant, cuja contribuição mais significativa foi o design da forma da Rainha\Bruxa.[12]
Art Babbit, um animador que juntou-se ao estúdio Disney em 1932, convidou sete dos seus colegas (que trabalhavam na mesma sala que ele) para assistir uma aula de arte que ele próprio tinha estabelecido em sua casa em Hollywood Hills. Embora não houvesse nenhum professor, Babbitt tinha recrutado uma modelo para posar para ele e seus colegas animadores. Estas 'aulas' foram realizadas semanalmente, e a cada semana, mais animadores iam. Depois de três semanas, Walt Disney chamou Babbit ao seu escritório e se ofereceu para fornecer o material, espaços de trabalho e modelos necessários se as sessões fossem transferidas para o estúdio. Babbit deu as aulas por um mês até que o animador Hardie Gramatky sugeriu que eles recrutassem Don Graham, um professor de arte do Chouinard Institute. Ele lecionou sua primeira aula no estúdio em 15 de novembro de 1932 e foi acompanhado por Phil Dike algumas semanas mais tarde. Estas aulas tinham a preocupação em trabalhar com a anatomia humana e movimento.[15]
Poucos dos animadores dos estúdios Disney tiveram formação artística (a maioria tinha sido cartunista de jornal). Dentre estes poucos, foi Grim Natwick que havia treinado na Europa. O sucesso do seu trabalho na concepção e animação de Betty Boop da Fleischer Studios mostrou uma compreensão da anatomia humana feminina. Quando Walt Disney contratou Natwick, foi dado a ele personagens femininas para animar quase que exclusivamente. As tentativas de animar Perséfone, a protagonista de The Goddess of Spring, foram muito malsucedidas. A animação de Natwick, heroína do The Cookie Carnival foi bem-sucedida, dando ao animador a tarefa de animar Branca de Neve. Embora tenham sido filmadas cenas reais de Branca de Neve, do Príncipe Encantado e da Bruxa como referência para os animadores, os artistas desaprovaram a rostocópia, considerando-a como uma dificuldade para a produção de uma caricatura eficaz. Nenhuma animação de Babbitt para a Rainha teve uso da rostocópia.[16] Apesar das objeções de Graham e Natwick, no entanto, algumas cenas de Branca de Neve e o Príncipe foram diretamente traçadas a partir do live-action filmado.[15]
Trilha sonora
As canções em Branca de Neve e os Sete Anões foram compostas por Frank Churchill e Larry Morey. Paul Smith e Leigh Harline compuseram a trilha de música incidental. As canções conhecidas de Branca de Neve e os Sete Anões incluem Heigh-Ho, Someday My Prince Will Come e Whistle While You Work. Como Disney ainda não tinha a sua companhia de publicação de músicas até então, os direitos de publicação para as músicas e as canções foram administradas pela Bourne Co. Music Publishers, que continua a manter estes direitos. Branca de Neve tornou-se o primeiro filme americano a ter um álbum de trilha sonora lançado em conjunto com o longa-metragem. Antes de Branca de Neve e os Sete Anões, uma gravação da trilha sonora de um filme era inédito e de pouco valor para os estúdios de cinema.[17]
Influências cinematográficas
Durante a produção, Disney incentivou sua equipe a assistir uma variedade de filmes. Estes variaram do mainstream, como Romeu e Julieta (1936). Branca de Neve, bem como os dois filmes seguintes da Disney, também foram influenciados por tais filmes expressionistas alemães como Nosferatu (1922) e O Gabinete do Doutor Caligari (1919), ambos os quais foram recomendadas por Disney para sua equipe.[15]
Lançamento
Lançamento original
Branca de Neve e os Sete Anões estreou no Carthay Circle Theatre em 21 de dezembro de 1937, e foi aclamado pelo público, muitos dos quais eram os mesmos opositores que haviam apelidado o filme de "Disney's Folly" ("Loucura do Disney" em tradução literal).[1] O filme recebeu uma ovação de pé[18] ao final da exibição, numa plateia que incluía Judy Garland e Marlene Dietrich.[19] Seis dias depois, Walt Disney e os sete anões apareceram na capa da revista Time.[20] The New York Times disse: "muito obrigado, Sr. Disney".[21] Após o sucesso das exibições exclusivas na Radio City Music Hall em Nova York e num teatro em Miami em janeiro de 1938,[1] a RKO Radio Pictures lançou o filme para o público geral em 4 de fevereiro. Ele tornou-se um grande sucesso de bilheteria, arrecadando quatro vezes mais dinheiro do que qualquer outro filme lançado em 1938.[22] Em seu lançamento original, Branca de Neve e os Sete Anões arrecadou US$ 3,5 milhões no Estados Unidos e Canadá,[23] e até maio de 1939, arrecadou US$6,5 milhões no mundo, sendo o filme com som mais bem sucedido de todos os tempos, tirando o filme The Singing Fool de Al Jolson do topo (mais tarde Branca de Neve e os Sete Anões perdeu o posto para Gone with the Wind em 1940).[23][24] Até o final de sua exibição original, Branca de Neve e os Sete Anões faturou US$ 7.846.000 ao redor do mundo.[2] A RKO teve um lucro de US$ 380.000 doláres.[25]
Relançamentos
Branca de Neve e os Sete Anões foi relançado pela primeira vez em 1944, com a intenção de aumentar a receita para o estúdio da Disney durante o período da Segunda Guerra Mundial. Este relançamento definiu uma tradição da Disney de relançar as animações entre sete a dez anos. Branca de Neve foi relançado em 1952, 1958, 1967, 1975, 1983, 1987 e 1993.[26] Coincidindo com o quinquagésimo aniversário em 1987, a Disney lançou um romance oficial da história, escrito pela autora infantil Suzanne Weyn.[27][28]
Em 1993, Branca de Neve e os Sete Anões tornou-se o primeiro filme a ser totalmente digitalizado para arquivos digitais, alterado e gravado de volta ao filme. O projeto de restauração foi realizado inteiramente em resolução 4K e profundidade de cor de 10 bits, usando o sistema Cineon para remover digitalmente sujeiras, arranhões e restaurar as cores desbotadas.[29]
Branca de Neve e os Sete Anões teve um arrecadamento total de US$ 418.200.000 milhões no seu lançamento original e relançamentos.[30] Ajustado pela inflação e incorporando versões posteriores, o filme ainda está registrado como uma das dez maiores bilheterias de todos os tempos.[31]
Televisão
No Brasil, a única vez que o filme foi exibido na televisão aberta foi na Sessão de Sábado, da Rede Globo no dia 25 de dezembro de 2010, cerca de 72 anos depois de sua estreia nos cinemas brasileiros. O filme foi exibido como um especial de fim de ano da emissora.[32]
Branca de Neve chegou a ser exibido na televisão em Portugal. A RTP exibiu este filme pela primeira vez em 1966, já com a dublagem brasileira de 1965, durante o período de Natal, em conjunto com o filme Pinóquio de 1940. Mais tarde em 2011 o filme foi exibido várias vezes no Disney Channel Portugal.[33]
Recepção
Branca de Neve foi um enorme sucesso de crítica, com muitos críticos saudando-a como uma verdadeira obra de arte, recomendada para crianças e adultos.[34] Na história do cinema, muitas vezes afirmou-se que a animação dos personagens humanos no filme foram criticadas, mas um estudo mais recente concluiu que a maioria dos comentaristas elogiaram o estilo realista da animação humana, com várias afirmando que o público vai esquecer que eles estão observando seres humanos animados ao invés de reais.[34] No 11º Oscar, Walt Disney ganhou um Oscar Honorário por "uma inovação significativa na tela que tem encantado milhões e foi pioneiro de um novo grande campo do entretenimento". Disney recebeu da atriz de 10 anos, Shirley Temple, uma estatueta do Oscar em tamanho real acompanhada de sete miniaturas. O filme também recebeu uma indicação ao Oscar de melhor banda sonora.[35] Someday My Prince Will Come tornou-se um jazz standard, sendo regravada por numerosos artistas como Buddy Rich, Lee Wiley, Oscar Peterson, Frank Churchill,[36] e Oliver Jones.[37] Foi título dos álbuns de Miles Davis, Wynton Kelly e Alexis Cole.[38]
Cineastas famosos, como Sergei Eisenstein e Charlie Chaplin, elogiaram Branca de Neve e os Sete Anões como uma conquista notável no cinema. Eisenstein o chamou de o melhor filme já feito.[39] Branca de Neve inspirou a Metro-Goldwyn-Mayer produzir The Wizard of Oz (1939).[40] O animador pioneiro Max Fleischer decidiu produzir o filme de animação As Viagens de Gulliver (1939) a fim de competir com Branca de Neve.[41]
O sucesso de Branca de Neve levou Disney a avançar com mais produções de animações. Walt Disney usou a maior parte dos lucros de Branca de Neve e os Sete Anões para financiar um novo estúdio de US $5 milhões em Burbank, onde se encontra o atual estúdio da Walt Disney Animation Studios.[22] Dentro de dois anos, o estúdio completou Pinóquio e Fantasia, e deu início a produções de animação como Dumbo, Bambi, Alice no País das Maravilhas e Peter Pan.[42]
- Reconhecimento da American Film Institute
A American Film Institute (AFI), uma organização independente sem fins lucrativos criada nos Estados Unidos pela National Endowment for the Arts, lançou uma variedade de prêmios anuais e listas de filmes que reconhecem a excelência de produções cinematográficas.[43] As Listas do AFI de 100 Anos... realizadas entre 1998 e 2008, apresenta listas categorizadas dos melhores filmes dos EUA selecionados por um júri composto por mais de 1500 artistas, estudiosos, críticos e historiadores. A inclusão de um filme em uma destas listas foi com base na popularidade do longa-metragem ao longo do tempo, significado histórico e impacto cultural. Branca de Neve e os Sete Anões foi selecionado por um júri para inclusão em muitas listas AFI, incluindo as seguintes listas:
- 100 anos... 100 filmes - #49[44]
- 100 anos... 100 filmes (Edição de 10º Aniversário) - #34[45]
- 10 Top 10 - #1 filme de animação[46]
- 100 Anos...100 Heróis & Vilões: Rainha - #10 Vilã[47]
- 100 anos... 100 canções
- Someday My Prince Will Come - #19[48]
- Whistle While You Work - Nomeado[49]
- 100 anos... 100 frases de filmes: "Magic Mirror on the wall, who is the fairest one of all?" - Nomeado[50]
- Maiores Musicais - Nomeado[51]

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