Norma Aparecida Almeida Pinto Guimarães d'Áurea Bengell, conhecida simplesmente como Norma Bengell (Rio de Janeiro, 21 de fevereiro de 1935 — Rio de Janeiro, 9 de outubro de 2013 ) foi uma atriz, cineasta, produtora, cantora e compositora brasileira.
Considerada uma das maiores musas do cinema e teatro brasileiro nas décadas de 50, 60 e 70, Norma iniciou sua carreira no início dos anos 1950, sendo lançada no meio artístico através do teatro de revista pelo produtor Carlos Machado. Gravou 64 filmes durante sua carreira, diversos deles na Europa.
Filha única de pai belga e mãe brasileira, Norma vive desde a infância até meados de 1960 em um apartamento na Avenida Copacabana. Inicia os estudos na Escola Municipal Marechal Trompowsky. Com a separação dos país, sua avó paterna a matricula no colégio interno de freiras alemãs Nossa Senhora de Piedade, de onde tempos depois é convidada a se retirar devido a atos de indisciplina. No começo dos anos 1950 inicia sua carreira como modelo e manequim da Casa Canadá e Casa Imperial. Sua beleza chama atenção e em 1954 passa a atuar no teatro de revista com o espetáculo Fantasia e Fantasias, de Caribé da Rocha.
Norma Bengell já era a principal vedete dos espetáculos de Carlos Machado e já se firmara como cantora quando estreia no cinema ao protagonizar uma caricatura de Brigitte Bardot no filme O Homem do Sputnik (1959), de Carlos Manga. No mesmo ano, grava seu primeiro LP, Ooooooh! Norma.
Durante a década de 1960, faz sucesso no cenário musical, canta em shows de Tom Jobim, João Gilberto, Vinicius de Moraes e Roberto Menescal, sendo uma das primeiras cantoras a gravar composições inéditas de Jobim. Na Televisão, apresenta-se em programa semanal sobre MPB, dirigido por Abelardo Figueiredo na TV Tupi. Participa também dos programas Carrossel e Noite de Gala na TV Rio.
O longa-metragem que a consagra no Brasil é Os Cafajestes (1962), de Ruy Guerra, no qual Norma Bengell protagoniza a primeira cena de nu frontal do cinema brasileiro, que a tornou alvo de grande perseguição dos setores conservadores, sofrendo ataques da igreja e da organização Tradição, Família e Propriedade (TFP).
Em 1961, estreia no teatro dramático com Procura-se uma Rosa, no ato escrito por Gláucio Gil. No mesmo ano, é convidada por Anselmo Duarte para interpretar a prostituta Marli em O Pagador de Promessas (1962). Ao participar do Festival de Cannes que premia o filme, alcança projeção internacional. É apresentada a Dino de Laurentiis e começa a carreira internacional atuando em O Mafioso (1962), de Alberto Lattuada. Entre 1962 e 1970, atua em 13 produções estrangeiras.
Na Itália, conhece o ator Gabrielle Tinti, que se tornaria seu marido em 18 de abril de 1964, quando se casam em uma igreja cenográfica nos estúdios da Vera Cruz durante as filmagens de Noite Vazia (1964), de Walter Hugo Khoury.
Em 1965, participa de algumas produções em Hollywood, como o projeto piloto da série da NBC, The Cat.
Em 1969, ano em que encenou a peça Cordélia Brasil, de Antônio Bivar, em São Paulo, é sequestrada no Teatro de Arena e levada ao Rio por três homens do 1º Batalhão Policial do Exército. No DOI-CODI, é interrogada por cinco horas sobre "a subversão na classe teatral" e detida por dois dias. Seria a primeira de várias detenções pelo regime militar, que a levaram a se exilar na França em 1971. Quatro décadas depois, é reconhecida pelo governo brasileiro como anistiada política e teve direito a indenização.
No teatro de vanguarda, monta a peça Os Convalescentes (1970), com direção de Gilda Grillo. Na França, atua no Théatre National Populaire. Ainda na década de 1970, participa de importantes filmes nacionais, como Os Deuses e os Mortos (1970), de Ruy Guerra, A Casa Assassinada (1971), de Saraceni, Mar de Rosas (1977), de Ana Carolina e A Idade da Terra (1980), de Glauber Rocha.
Seu segundo LP, Norma Canta Mulheres, sai apenas em 1977, com composições de Dona Ivone Lara, Luli e Lucina, Marlui Miranda, Dolores Duran, Chiquinha Gonzaga, Rosinha de Valença, Sueli Costa, Rita Lee, Joyce e Maysa, além da composição original Em nome do amor, parceria de Norma com Glória Gadelha.
No ano seguinte, envolve-se na luta pela regulamentação da profissão de ator no Brasil.
Na década de 1980, participa de novelas na TV Bandeirantes e na Rede Globo de Televisão. Em 1983, retorna à França e atua na peça Les Paravents, de Patrice Chéreau.
Com a criação da N.B. Produções, lança-se na produção e direção cinematográfica, realizando os curtas-metragens Maria Gladys, uma atriz brasileira (1979), Barco de Iansã (1980) e Maria da Penha (1980). Em 1988, estreia na direção de longas-metragens com o filme Eternamente Pagu (1988), sobre a vida da militante política Patrícia Galvão. Durante o período da Retomada do Cinema Brasileiro, produz e dirige O Guarani (1996), adaptação do clássico literário de José de Alencar. Ao contrário de seu longa-metragem anterior, o filme é duramente criticado e não obtém bilheteria expressiva, além de acarretar problemas com a prestação de contas. Suas produções cinematográficas seguintes foram os curtas-metragens Mulheres no Cinema Brasileiro (2000), O Rio de Machado de Assis (2001), Maria Lenk (2004), e a Trilogia das Pianistas (2005). No teatro, participa das peças O Relato Íntimo de Madame Shakespeare (2007), Vestido de Noiva (2008) e Dias Felizes (2010). Na Rede Globo de Televisão, integra o elenco do programa humorístico Toma Lá Dá Cá entre 2008 e 2009.
Seu primeiro e único casamento foi com o ator italiano Gabrielle Tinti. Se conhecem em 1963 e em 1964 decidem morar juntos. A união dura até 1967, pois a artista não quis se sujeitar a um casamento conservador. Após a separação, Norma vai morar sozinha. Se declara feminista, passando a lutar em manifestações e sindicatos pelos direitos da mulher, defendendo o direito feminino de trabalhar, se divorciar, abortar, caso queira, e o direito ao uso da pílula e do preservativo, rompendo com a sociedade de sua época.
Norma faleceu no dia 9 de outubro de 2013 de câncer de pulmão, diagnóstico que recebera seis meses antes. Estava internada no Hospital Rio Laranjeiras por piora no quadro de falta de ar. Seu corpo foi velado no mesmo dia no Cemitério São João Batista e cremado no dia 10 de outubro, no Cemitério do Caju. A artista estava morando sozinha em seu apartamento em Copacabana há muito, e nos últimos anos recebia cuidados de uma acompanhante de idosos, já que enfrentava problemas de coluna e andava em cadeira de rodas.
Televisão
| Ano | Titulo | Personagem | Nota |
|---|---|---|---|
| 2008-2009 | Toma Lá, Dá Cá | Deise Coturno | 48 episódios |
| 2006 | Alta Estação | Yolanda | |
| 1993 | Você Decide | — | 3 episódios |
| 1989 | O Sexo dos Anjos | Vera | |
| 1984 | Partido Alto | Irene | |
| Betty Faria Especial | — | ||
| 1983 | Parabéns pra Você | Mara | |
| 1982 | Memórias do Medo | Mona | |
| 1981 | Os Imigrantes | Nena | |
| Os Adolescentes | Paula | ||
| 1966 | Festival em Shell Maior | apresentadora | 1966-1967 |
| Noite de Gala | apresentadora |
Filmografia
Como atriz
Como diretora
| Ano | Título |
|---|---|
| 1979 | Maria Gladys, uma atriz brasileira |
| 1980 | Maria da Penha |
| 1980 | O Barco de Iansã |
| 1988 | Eternamente Pagu |
| 1996 | O Guarani |
| 2003 | Infinitivamente Guiomar Novaes |
| Antonietta Rudge: O Êxtase em Movimento | |
| 2004 | Magda Tagliaferro: O Mundo Dentro de um Piano |

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